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O que seis empresas me ensinaram sobre começar de novo.

Toda vez que eu troquei de empresa, alguém me disse a mesma frase: “você vai começar do zero de novo”. Seis empresas depois, posso dizer com alguma segurança que isso é mentira.

O que você leva na mala

O que não se transfere é contexto: quem decide o quê, onde ficam os cabos, por que aquele serviço tem um nome esquisito. Isso você reaprende — e leva de três a seis meses, não importa quão sênior você seja.

O que se transfere é repertório. Você já viu um deploy dar errado às 23h. Já viu um projeto morrer por falta de dono. Já viu um time se recuperar de uma decisão ruim. Isso não zera.

Os primeiros trinta dias

Nas primeiras semanas eu faço três coisas, sempre:

  • Escuto mais do que falo. A vontade de mostrar valor rápido é a maior armadilha da troca de empresa.
  • Mapeio quem sabe o quê. Organograma é ficção; a rede real de quem resolve as coisas é outra.
  • Entrego algo pequeno e visível. Não pra impressionar — pra entender o caminho completo de uma mudança, do commit à produção.

O que eu faria diferente

Eu teria perguntado mais sobre problema e menos sobre stack. A tecnologia da vaga muda em dois anos. O tipo de problema que a empresa resolve, não.

Se você está pensando em trocar: você não está começando do zero. Está começando com um repertório que ninguém naquela sala tem.

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